sábado, 8 de janeiro de 2011

Fonte Histórica (1) O que é fonte histórica?

“Fonte Histórica” é tudo aquilo que, produzido pelo homem ou trazendo vestígios de sua interferência, pode nos proporcionar um acesso à compreensão do passado humano. Neste sentido, são fontes históricas tanto os já tradicionais documentos textuais (crônicas, memórias, registros cartoriais, processos criminais, cartas legislativas, obras de literatura, correspondências públicas e privadas e tantos mais) como também quaisquer outros que possam nos fornecer um testemunho ou um discurso proveniente do passado humano, da realidade um dia vivida e que se apresenta como relevante para o Presente do historiador.

Incluem-se como possibilidades documentais desde os vestígios arqueológicos e outras fontes de cultura material (a arquitetura de um prédio, uma igreja, as ruas de uma cidade, monumentos, cerâmicas, utensílios da vida cotidiana) até representações pictóricas e fontes da cultura oral (testemunhos colhidos ou provocados pelo historiador). As investigações sobre o genoma humano fizeram do corpo e da própria genética uma fonte histórica igualmente útil e confiável, que inclusive permitiu que os historiadores passassem a ter acesso aos primórdios da aventura humana sobre a Terra, forçando a que se problematize o antigo conceito de “pré-história” que antes sinalizava uma região da realidade um dia vivida que estava até então proibida aos historiadores.

De igual maneira, a partir do século XX, quando a geografia passou a atuar interdisciplinarmente com a história, mesmo uma paisagem natural passou a ser encarada como uma possibilidade documental. O mesmo se pode dizer das relações entre a história e a lingüística, que trouxeram os próprios fatos da língua para o campo das evidências históricas, e também das perspectivas que se produziram na confluência entre História e Antropologia, que permitem que se abordem como fontes históricas as evidências e heranças imateriais, já sem nenhum suporte físico e concreto, como as festas dramáticas populares e os ritos religiosos que se deslocam e perpetuam-se na realidade social, os sistemas integrados e reconhecíveis de práticas e representações, os gestos e modos de sociabilidade, os bens relacionáveis ao chamado ‘patrimônio imaterial’ (modos de fazer algo, receitas alimentares, provérbios e ditos populares, anedotários, apenas para citar alguns exemplos).

É certo que houve um longo desenvolvimento historiográfico até que chegasse o momento em que, para além dos documentos e fontes concretizadas em papel ou qualquer outro material, fossem também admitidas as ‘fontes imateriais’ como campos de evidências das quais poderia o historiador se valer. De todo modo, pode-se dizer que nos dias de hoje não há praticamente limites para um historiador quanto à possibilidade de transformar qualquer coisa em fonte histórica. Um repertório de gestos, por exemplo, pode ser revelador de permanências do passado. Lembremos o hábito de cumprimentar tirando o chapéu, que provém do repertório de atitudes medievais: quando um cavaleiro cumprimentava o outro, tirava o elmo em sinal de que suas intenções eram pacíficas (sem o elmo, peça bélica defensiva, manifestava algo como uma proposta de desarmamento). Foram-se as batalhas e os elmos, e veio a sociedade oitocentista dos chapéus burgueses. O gesto, contudo, manteve-se incrustado no repertório de atitudes, e mesmo com os chapéus em desuso ainda permanece como um movimento que toca a testa como que para tirar o “elmo imaginário”. É assim que, em certos hábitos enraizados, expressos na vida cotidiana e na prática comportamental – também aí poderemos ir buscar uma fonte, uma evidência ou um testemunho do passado.

A ampliação documental foi uma conquista gradual dos historiadores; verificou-se à medida que a própria Historiografia expandia seus limites no decurso do século XX. O historiador adotava novas perspectivas, passava a dispor de novos métodos e a contar com o intercurso de outras disciplinas (Geografia, Lingüística, Psicologia – apenas para mencionar três dos campos relacionados aos exemplos antes expostos: a paisagem, a palavra e o gesto). Tudo isto e mais o interesse por novos objetos, até então desprezados pela historiografia tradicional, fez com que a historiografia contemporânea caminhasse para necessitar cada vez mais de outras fontes ou documentos que não só as crônicas e registros arquivísticos. Assim, se os Arquivos são fundamentais para o trabalho dos historiadores, eles estão longe de serem suficientes para fornecerem tudo o que os historiadores necessitam para o seu trabalho. Na verdade, a questão de pesquisar ou não em fontes de arquivos tem muito mais a ver com o objeto ou com os problemas históricos que estão sendo examinados do que qualquer outra coisa.

Tem a ver com esta questão, aliás, outra palavra que muito freqüentemente é empregada como sinônimo de fonte histórica: ‘documento histórico’. Na verdade, há algum tempo atrás esta palavra era até mais comum no linguajar do historiador do que ‘fonte histórica’; e, antes dela, até a historiografia do século XVIII, predominava uma outra palavra: "monumento". A expressão ‘documento histórico’, que se tornou muito típica no século XIX, mas que continuou a ser usada com sentidos ampliados no século XX, estava primordialmente muito relacionada tanto com os arquivos que começaram a ser organizados sistematicamente na época, como também com a maneira como então se concebia a História. Esperava-se que o historiador documentasse, no sentido jurídico, todas as afirmações que fizesse no decorrer de sua narrativa histórica. Daí a palavra “documento”, que, além de possuir uma origem jurídica, estava muito associada à idéia de prova, de “comprovação”.

Hoje em dia, empregam-se indistintamente as expressões “fonte histórica” ou “documento histórico”. Mas nota-se uma certa tendência à preferência cada vez maior pela expressão “fonte histórica”, talvez porque a expressão “documento histórico” tenha ficado um pouco associada à historiografia positivista, e um pouco também porque o historiador não espera mais dos materiais e evidências que lhes chegam do passado apenas ou necessariamente uma “prova”, encarando também as fontes como discursos a serem analisados ou redes de práticas e representações a serem compreendidas. Por isto, tende-se freqüentemente à utilização da palavra “fonte” na atual prática historiográfica. Em contrapartida, quando um historiador utiliza nos dias de hoje a palavra ‘documento histórico’, ele pode estar se referindo a qualquer tipo de fonte histórica, e não apenas àqueles tipos mais específicos de documentos textuais que os positivistas priorizavam.

23 comentários:

  1. eu quero é conceito de fonte historica lerdos

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    1. olhaa menina se sua mãe não te edeu respeito é problema seu tá? agora num precisa ficar se amostrando pra odo mundo falando merda pq ninguem quer saber não!"!! Obrigado e beijinho no ombro*8*

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  2. aii foi bom pesquisa aqui vou esta sempre precurado aqui .... eu até tire MB na prova acertei tudo 10 á já sei vou amar esse site sempre s2 ..

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  3. Caro Prof. José Barros:

    Muito eloquente sua exposição sobre fontes históricas. A nova visão da historiografia, levada a cabo pela escola dos Annales, foi uma revolução sem precedentes na compreensão do passado do homem, permitindo-nos a nós historiadores rompermos com o ideal burguês e positivista da historiografia do século XIX e lançar novas perguntas ao passado do homem.

    Como apreciei tanto sua explanação eu as postarei: Fontes históricas 1 e 2 no meu blog. Espero que não se oponha.

    Abraço,
    Joandre

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  4. oi prof: josé barros eu gostei muito desse blog, acho que meu prof tbm vai gostar. obriigado!

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  5. É muito bom esse blog aposto que todo mundo vai adorar. muito obrigado achei a resposta.

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  6. adorei este blog,é muito útil e me ajudou muito com a lição de casa obg!

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  7. kkk numca a mais linda do momento kkkkkk
    se vc num sabe vai procurar saber apesar de que ja sabia ou pelo menos ja deveria saber que eu Luana Alves (o nome ja diz tudo ne?... ata eu ja sei) querida eu sou a mais paty e a mais ops a mais nao a poderosa do pedasso do momento de tudo!
    e nem tente responder pq eu nao autorizo!
    kkkk EU SOU D+ TA?! HUM...

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  8. pq eu pacei tamto tempo aqui isso e um verdadeiro lixao pessimo!
    nao emcontrei nada de bom e que eu procurava! >:

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  9. dica: História = consequencias ,
    consequencias é isso , por exemplo neste momento , essa pagina , pode virar história para os cidadãos do futuro , e isso tudo é feito por somente duas pessoas:
    *historiador:possibilidades (não produz verdades , por que nao produz verdades? por que esta pessoa nao tem certeza do que escreve)
    *arqueólogo:investiga-vestigios=fonte histórica(ele INVESTIGA os VESTIGIOS e acaba virando FONTE HISTÓRICA)

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  10. eu só queria saber disso por causa da escola si não eu nem tava me lixando pra fontes histórica eu gosto de mitologia-grega

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